Caso Master: PF adia três depoimentos sobre compra do banco pelo BRB; apenas uma pessoa é ouvida nesta terça

Três depoimentos do caso Master são adiados
A Polícia Federal (PF) desmarcou três depoimentos de investigados no inquérito que apura supostas irregularidades na proposta de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB), de acordo com as defesas.
Com isso, foi mantida apenas a oitiva Luiz Antonio Bull, diretor de Riscos, Compliance, RH e Tecnologia do Banco Master.
Inicialmente, ele seria ouvido de forma presencial no Supremo Tribunal Federal (STF), mas optou por falar de forma virtual aos investigadores.
Segundo o STF, o depoimento de Bull teve início por volta das 10h14 e terminou por volta das 10h39.
Após o depoimento, a defesa de Bull se pronunciou. Segundo o advogado Augusto Botelho, seu cliente respondeu a todas as perguntas feitas.
“O senhor Luiz Bull sempre esteve e continuará à disposição das autoridades. Respondeu hoje absolutamente todas as perguntas, tanto da autoridade policial, quanto do Ministério Público, quanto do juiz-instrutor aqui do Supremo Tribunal Federal, no interesse sempre de colaborar com as investigações e assim que ele vai se portar durante todo esse caso”, afirmou o advogado.
Consulta
De acordo com advogados, a PF chegou a fazer uma consulta para saber se os investigados estariam dispostos a falar nos depoimentos desta terça.
Como as defesas informaram que não tiveram acesso a todos os documentos liberados do processo, e que poderiam não prestar esclarecimentos, a delegada responsável pelo caso teria cancelado a programação.
Além do depoimento de Luiz Antonio Bull, seriam ouvidos nesta terça:
Robério Cesar Bonfim Mangueira, superintendente de Operações Financeiras do BRB;
Angelo Antonio Ribeiro da Silva, sócio do Banco Master;
Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Master.
Depoimentos de segunda
Nesta segunda (26), a PF enfrentou transtornos durante alguns dos depoimentos marcados sobre o caso Master.
Os investigadores ouviram, por uma hora, o diretor de Finanças e Controladoria do BRB, Dário Oswaldo Garcia Junior.
Contudo, o superintendente-executivo de Tesouraria do Banco Master, Alberto Felix de Oliveira, fez uma fala inicial de que não tinha poder de gestão na assinaturas de contratos e, depois, acabou usando o direito de permanecer calado e não respondeu às perguntas da PF.
As defesas de André Felipe de Oliveira Seixas Maia, diretor de uma empresa investigada; e de Henrique Souza e Silva Peretto, empresário, pediram o adiamento dos depoimentos sob o argumento de que não tiveram acesso ao inquérito. Dessa forma, afirmaram que os clientes não poderiam responder às perguntas.
Desdobramentos do caso
Os depoimentos podem impactar nos desdobramentos do caso. Isso porque se os investigados e as provas já reunidas pela Polícia Federal implicarem pessoas com foro privilegiado, o inquérito deve permanecer no Supremo.
Mas, se não houver conexão de condutas em apuração com autoridades com foro, investigadores podem pedir que parte da investigação retorne para a primeira instância da Justiça.
🔎O foro privilegiado – chamado de foro especial por prerrogativa de função – é um mecanismo definido na Constituição pelo qual algumas autoridades, por conta do cargo público que ocupam, têm o direito de serem julgadas por crimes comuns em tribunais específicos.
Essa movimentação dependeria do aval do ministro Dias Toffoli, que é o relator do caso no Supremo.
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Reprodução TV Globo